ESMP realiza debate sobre Procuradoria de Justiça
Pela primeira vez, o Ministério Público de São
Paulo realiza um painel de debates com assuntos inerentes a uma
procuradoria de Justiça específica. Dirigido aos
integrantes do Ministério Público, da Magistratura,
estagiários e servidores e promovido pela Escola Superior
do Ministério Público e a Procuradoria de Justiça
de Interesses Difusos e Coletivos, o “1º
Painel de Debates sobre a Procuradoria de Justiça de Interesses
Difusos e Coletivos”, contou com a participação
de grandes nomes da Magistratura e do Ministério Público.
Com início às 9h30, as discussões ultrapassaram
o término previsto (17 horas), na última sexta-feira
(16/5), temas como “Procuradoria de Justiça de Interesses
Difusos e Coletivos - Diagnósticos e Perspectivas”,
exposto pela desembargadora presidente da 1ª Câmara
de Direito Público e da Câmara Especial do Meio Ambiente
do Tribunal de Justiça de São Paulo Regina Zaquia
Capistrano da Silva e pelo procurador de Justiça e secretário
da Procuradoria de Justiça de Interesses Difusos e Coletivos
Sergio Neves Coelho, suscitaram discussões que foram de
conflitos de atuação às novas formas de atuação
como, por exemplo, a possibilidade de recurso em 2º grau,
passando também pelas dificuldades de controle efetivo
dos feitos em andamento nos Tribunais Superiores e uniformização
do diálogo entre o Ministério Público e o
Poder Judiciário.
Nesse painel foram debatedores os promotores de Justiça
José Eduardo Ismael Lutti e Ricardo Manuel Castro. Segundo
os debatedores, o momento também é oportuno para
discutir a acumulação nas Promotorias de Interesses
Difusos de questões criminais atinentes à matéria,
por exemplo, a danos ambientais.
A “Atuação do Ministério Público
em Segunda Instância - Integração”,
tema exposto pela procuradora de Justiça Maria Cristina
Barreira de Oliveira e pelo procurador de Justiça Hugo
Nigro Mazzilli enfatizou o relacionamento da 1ª e 2ª
instâncias. A procuradora disse que, muitas vezes, chegam
à 2ª instância decisões sobre as quais
não há conhecimento prévio da política
institucional. Segundo a procuradora, há a necessidade
de as procuradorias irem às diversas regiões do
Estado para a discussão de temas pré-estabelecidos
e recorrentes. Maria Cristina Barreira de Oliveira falou também
da produção das provas. “O promotor, mesmo
que saiba que terá sucesso no primeiro grau, deve pensar
que o segundo trabalha com papéis.” O professor Hugo
Nigro Mazzilli defendeu a necessidade de mudanças metodológicas
no Ministério Público. Em sua opinião, se
isso não ocorrer, “a segunda instância será
uma assessoria jurídica qualificada do Tribunal de Justiça”.
Ele foi além: “procuradores e promotores poderiam
trabalhar fisicamente juntos e prepara peças em conjunto.”
“São só idéias”, frisou.
Nesse painel foram debatedores os promotores de Justiça
José Carlos de Freitas e Marcos Mendes Lyra. Com 20 anos
de experiência na área, Marcos Mendes Lyra disse
que os que ontem começavam o trabalho na área de
interesses difusos e coletivos hoje chegaram à procuradoria.
José Carlos de Freitas ressaltou que a procuradoria de
interesses difusos é um grande filtro e que é necessário
promover o intercâmbio entre o Centro de Apoio, a Corregedoria-Geral,
a Escola Superior e o Órgão Especial - atores que
concentram informações de grandes, médias
e pequenas causas. “Estamos aqui para apontar problemas
e indicar caminhos. Isso é muito bom.” Freitas citou
também que muitas vezes o que a imprensa vende não
corresponde necessariamente à verdade dos fatos.
O tema do desembargador do Tribunal de Justiça de São
Paulo Samuel Alves de Melo Junior e da procuradora de Justiça
Evelise Pedroso Teixeira Prado Vieira foi “Questões
Processuais Relevantes na Ação Civil”. Nas
palavras do diretor da ESMP, Mario de Magalhães Papaterra
Limongi, logo após a exposição, o tema devia
ser alterado para Questões Processuais Relevantíssimas
na Ação Civil tamanha a abrangência da exposição.
O desembargador falou da teoria da distribuição
dinâmica das provas, citou precedentes, e sugeriu que o
Ministério Público, ao postular liminares de antecipação,
peça ao juiz do processo que a prova pericial que venha
a ser produzida seja de responsabilidade da parte adversa do réu.
Outra idéia: a inclusão de cláusula na instauração
de inquérito civil ou na lavratura de um termo de ajuste
de conduta estabelecendo que, na hipótese do não-cumprimento,
a parte assume a responsabilidade de arcar com eventual perícia.
Samuel Alves de Melo Junior também falou da legitimidade
outorgada à Defensoria Pública para propor ações
e de sua preocupação já que algumas entidades
se constituíram com a finalidade de ingressar com ações
civis públicas. A procuradora Evelise Pedroso Teixeira
Prado Vieira disse que, que pela primeira vez, uma procuradoria
se reunia em busca de mais eficiência e que, até
nisso, a Procuradoria de Direitos Difusos tinha diferencial e
desde o primeiro momento buscou o estreitamento com a primeira
instância. A procuradora falou sobre os pedidos feitos em
ACPs e seus desdobramentos, por isso a necessidade do pedido necessário
e útil. Falou, também, do litisconsórcio
necessário e de pedidos específicos em casos de
improbidade administrativa.
Nesse painel foram debatedoras as promotoras de Justiça
Deborah Pierri e Maria Cristina Martins. Deborah Pierri salientou
que as preocupações dos que militam em direitos
difusos são comuns. “Por isso, o debate é
profícuo.” Ressaltou, ainda, sua preocupação
para com o anteprojeto de lei, já nas mãos do governador,
que regula o Fundo Estadual de Interesses Difusos e Coletivos
e que possibilita ao Ministério Público a utilização
de 20% da receita em capacitação técnica,
capacitação essa de máxima importância
para o aproveitamento das causas. Maria Cristina Martins falou
dos problemas que encontra na Promotoria de Sumaré em relação
à perícia e ao custeio provisório e sugeriu
que o MP requisite perícias se utilizando dos serviços
de órgãos públicos. “Em prol do interesse
público seria bom criarmos esse hábito.”
Para falar sobre “Recursos: possibilidade e necessidade”,
a ESMP trouxe nada mais nada menos que o desembargador do Tribunal
de Justiça de São Paulo José Renato Nalini
e o procurador de Justiça Jorge Luiz Ussier. Nalini, orador
por natureza, disse que hoje tudo chega ao Superior Tribunal de
Justiça ou ao Supremo Tribunal Federal. Com esse cenário,
“o STJ passou a decidir como uma 3ª instância
e o STF persiste em não assumir a função
de guardião da Constituição. Sou contra recursos,
mas em um país que tem mais de um milhão de advogados,
pensar em reduzir seria utopia. Segundo o desembargador, a CF/88
deu ao Ministério Público mais que categoria de
poder. “O MP agora poderia oferecer um plus. Temos que investir
na solução de conflitos. Temos conseguido salvar
o ambiente através dos processos? O MP pode forçar
a tomada de decisões e pacificar alguns pontos.”
Para o desembargador, no direto ambiental, nicho de experimentação,
há espaço para se quebrar o dogma do direito adquirido,
da coisa julgada e ato jurídico perfeito, “uma vez
que o poluidor não tem o direito adquirido de poluir”.
O procurador de Justiça Jorge Luiz Ussier disse que o ideal
perseguido - e já em estudo - é que todos os casos
sejam registrados e a informação inserida no site
para que o promotor saiba quem é o procurador e em que
fase está cada caso. “Dessa forma, em casos relevantes
na ótica do promotor, ele pode entrar em contato com o
procurador.
Nesse painel os debatedores foram os promotores de Justiça
Silvio Antonio Marques e Claudemir Battalini. Silvio Marques disse
que, com o grande número de recursos aos tribunais superiores,
os de justiça passaram a ser tribunais de passagem. Ele
citou casos antigos só agora julgados. “Há
a necessidade de revisão de procedimentos para mais celeridade
e menos burocracia.” Claudemir Battalini, em sintonia com
os participantes do painel, também defendeu a celeridade.
“Temos de ser críticos em relação ao
Ministério Público. Processualmente falando temos
que ser menos formais.”